Feb 7, 2007

AVALIAÇÃO: UM PARADIGMA A EMERGIR

Jane Glady Ribeiro Duque[1]
Moema Duque Soares[2]


RESUMO

Neste artigo pretende-se analisar no procedimento de avaliação visto que esta é u,a ação excludente, classificatória, que julga e não determina nem avalia o aprendizado. Enfatiza teoricamente a avaliação no processo ensino aprendizagem de acordo com as concepções pedagógicas e os diversos meios de avaliar, tendo como, tendo como alicerce metodológico pesquisas bibliográficas. Igualmente procura-se estabelecer relações entre exame e avaliação da aprendizagem remetendo a reflexão acerca do questionamento: é possível mudar a maneira atual e tradicional de avaliar? Tem como finalidade abordar as ferramentas educacionais da avaliação explanando cada uma delas de forma objetiva, oferecendo um respaldo teórico ao leitor. Resgata-se a literatura de teóricos respeitados na área educacional, evidenciando assim, a trajetória da educação junto aos mecanismos da avaliação. Por fim, analisa-se a contribuição da avaliação seja como exame escolar ou como avaliação da aprendizagem, focalizando a ação do educador.


Palavras-chave: avaliação; aprendizagem; concepções pedagógicas; exame; avaliação da aprendizagem.


INTRODUÇÃO

Este artigo faz uma abordagem teórica sobre a avaliação no processo ensino-aprendizagem. Inicialmente evidencia-se a trajetória da educação (citando as concepções pedagógicas) caracterizando respectivamente as ferramentas avaliativas usadas. Justifica-se tal abordagem buscando-se excelência na avaliação dos aprendentes realizada pelos educadores dos cursos de graduação, neste sentido “[...] não estamos acostumados a ver a avaliação como incentivo à aprendizagem e sim como identificadora de resultados obtidos” (MASSETTO, 2003, p. 149). Com base nestas observações surge um questionamento: é possível mudar a maneira atual e tradicional de avaliar?

Evidencia-se a complexidade da avaliação quanto ao processo de ensino-aprendizagem. Deste modo o objetivo do artigo é fazer uma reflexão e análise com referência ao processo avaliativo através de pontuação tendo como características, educação: um passado ainda presente; um meio de transformação social; uma tortura medieval? a práxis pedagógica; a avaliação e suas implicações no ensino superior; avaliação da aprendizagem x exame, elencado na abordagem de Luckesi (2002 e 2003), investigando os dois processos, focalizando suas características e relevância para o processo educacional.

Busca-se uma avaliação de qualidade que compreenda o sujeito como um ser integral[3] que está inserido no processo educativo. Com a intenção de proporcionar reflexões, e impulsionar mudanças no âmbito educacional, propõem-se pesquisar empiricamente a respeito deste assunto que é tão polêmico e complexo.

De acordo com Gil (2002, p. 44) “Os livros constituem as fontes bibliográficas por excelência” este artigo cientifico tem como alicerce metodológico pesquisas bibliográficas publicadas em livros, revistas, artigos científicos, bem como as eletrônicas, que contribuíram para o embasamento do problema proposto. Este não será apenas mais um trabalho de conclusão de curso, e sim uma produção acadêmica de cunho pesquisador, que servirá de referencial teórico aos profissionais da área educacional.


EDUCAÇÃO: UM PASSADO AINDA PRESENTE

O século XXI chegou trazendo algumas transformações para o campo educacional. O ensino tradicional enfraqueceu deixando professores sem norte em suas práticas (GADOTTI, 2005). A educação deixou de ser apenas transmissão de conhecimento. Atualmente os professores ensinam e aprendem com os alunos, como expressa Freire (2001, p. 25), “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. A concepção interacionista ganhou espaço no sistema educativo brasileiro, e um dos pontos que chamam a atenção é a avaliação.
Não apenas os métodos sofreram alterações no sistema brasileiro de ensino. A verdade é que com tantas transformações no segmento cultural, social, político e econômico do país, restou para a educação o desafio de tentar sistematizar e resolver os problemas do século. Esta passou a ser vista como um dos recursos essenciais capazes de reestruturar o mundo. Devido a esse fato, as instituições vêm desempenhando seu papel de forma a aceitar as inovações trazidas pelas concepções mais atuais de ensino.

De acordo a abordagem de Luckesi (2002) a aprendizagem passou a ser vista com mais interesse pelo professor desde que o aluno passou a ser o centro do processo educacional. Entende-se que a avaliação da aprendizagem é possível e que deve ser realizada mediante o compromisso do professor com o ensino e com a aprendizagem do seu alunado.

A educação como transmissão de conhecimento e vista como uma prática mecânica era incapaz de oferecer subsídios para mudanças sociais. O sistema social de ensino acontecia sem ater-se às necessidades dos aprendentes. Evidências demonstram que quanto maior os níveis de educação, maiores são as chances de elevação do cidadão. A educação é um dos veículos de transformação social, pois na medida em que o indivíduo se desenvolve, conseqüentemente ele evolui e se revela para a sociedade na qual se encontra inserido, não como uma caixa fechada, mas, como um presente que transborda sabedoria para um bem global.


EDUCAÇÃO: UM MEIO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

A inquietação quanto ao processo de avaliação deve-se ao fato de perceber-se que com o desenvolvimento, a sociedade carece de atenção e zelo quanto ao ato de avaliar.

Aquino (1996, p. 39) pergunta: “Qual o papel da escola?”. É abordado que a escola tem a função de atender as necessidades preparando o cidadão para o convívio em sociedade. É necessário ir além. As instituições de ensino têm como finalidade mediar a educação que cada um já traz do seu convívio social fazendo com que o aluno amplie seus conhecimentos, desenvolva as habilidades e competências que são intrínsecos ao ser humano. Cabe, portanto ao educador conhecer a essência e potencialidade dos aprendentes, para que possa de fato efetivar um trabalho pedagógico que seja favorável.

Segundo Abramowicz apud Pellegrini (2001, p. 23) “a maneira como uma escola avalia é o reflexo da educação que ela valoriza”. Necessário se faz valorizar o aprendizado e evolução efetiva do aprendente.

Sabe-se que a educação contribui para a transformação da realidade de uma sociedade. Nela, educadores e educandos são sujeitos do processo, que ocorre através do aprendizado solidificado mediante a troca de saberes.

Educar é construir, é libertar o homem do determinismo, passando a reconhecer o papel da História e onde a questão da identidade cultural, tanto em sua dimensão individual, como em relação à classe dos educandos, é essencial a prática pedagógica proposta. (FREIRE, 2000, p. 46).

O processo de educar será inoperante se não for respeitada a identidade, autonomia, sem levar em conta as experiências vividas pelos educandos antes de chegar à escola.

A educação é ideológica, por ser formadora de idéias, valores, opiniões, crenças, por estabelecer a verdadeira comunicação de aprendizagem entre seres constituídos de desejos e sentimentos.

É neste sentido que o ensinar não é transferir conhecimento, conteúdos nem formar é a ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. (FREIRE, 2001, p. 25).

A educação é o instrumento mais viável para a efetivação do exercício de cidadania, que se apreendido, sem dúvida torna-se um estado de espírito e enraíza-se. É um processo através do qual a pessoa resignifica conhecimentos gerais, científicos, artísticos, técnicos ou especializados. Por meio da educação a pessoa não só amplia e troca conhecimentos, mas procedimentos e atitudes necessárias para o engrandecimento do ser humano.

Educadores e educandos se arquivam na medida em que, nesta distorcida visão da educação, não há criatividade, não há transformação, não há saber. Só existe saber na inovação, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros. (FREIRE, 2000, p. 66).

Há diversos instrumentos para analisar o desempenho do aluno, paralelamente o do professor, e fazer com que todos integrem o processo de ensino-aprendizagem. Neste contexto aborda-se a avaliação como sendo uma ferramenta educacional que promove a ação e a reflexão dos indivíduos inseridos nesta prática.


AVALIAÇÃO: TORTURA MEDIEVAL?


A avaliação que durante anos foi uma ameaça autoritária para a prática educativa está mudando, porém continua sendo um dos entraves da educação. Cada autor/professor defende suas idéias, teses, embasados na concepção de ensino que adotam.

A avaliação deve servir para aumentar a confiança do aluno em sua própria capacidade. A avaliação é um meio, um instrumento que deve servir como ponto de referência para o aluno, para que saiba em que direção está avançando. (PILETTI, 2003, p.168).

É preciso que a avaliação sirva para que todos possam ter experiências de sucesso, para orientar os professores sobre as dificuldades, os aspectos positivos e as necessidades de cada um, não para comparar os alunos entre si de acordo com um critério único, criando competição, inveja e frustração, mas para auxiliar na evolução.

O que pode-se perceber claramente é que tal como afirma Perrenoud (1999, p.9) “A avaliação não é uma tortura medieval”, nem uma ação mecânica do professor, muito menos um acerto de contas.
A avaliação [...] vem sendo considerada um ato penoso de julgamentos de resultados. Essa concepção, consciente ou inconsciente, transformou-se e sedimentou-se numa prática coletiva angustiante, embora exercida pela maioria. [...] Reduzem a avaliação a uma prática de registro de resultados acerca do desempenho do aluno em um determinado período. (HOFFMANN, 2001, p. 27).

Avaliar deveria se constituir em momento reflexivo. Por outro lado, a avaliação, inegavelmente, funciona como uma ferramenta que viabiliza a exclusão, utilizando a nota como um instrumento de poder na relação professor/aluno, com função meramente burocrática e que não reflete o processo de aprendizagem ocorrido. O ato de mencionar uma nota como forma de certificar se houve aprendizagem por parte do aluno, priva também a avaliação da mediação do professor, pois uma vez que houve falhas no processo ensino aprendizagem este também é responsável.

[...] a nota é tão valorizada nas escolas que cria trauma, medos, e até sintomas físicos, como tremedeira, transpiração excessiva, diarréias, etc. É evidente que o pavor de tirar nota baixa, o medo diante de uma prova prejudicam a aprendizagem e o rendimento do aluno. Se as notas não podem ser abolidas, como seria desejável, sua importância deve ser reduzida ao mínimo indispensável, de forma que não interfiram negativamente na aprendizagem, sem qualquer proveito para o aluno. (PILETTI, 2003, p. 163).

O objetivo da avaliação, sob o enfoque tradicional, é meramente verificar se os objetivos foram atingidos e se houve a aprendizagem dos conteúdos trabalhados. Há uma preocupação única com a avaliação da área cognitiva, ignorando-se por completo as áreas afetivas e motoras. Este tipo de avaliação caracteriza-se por um período de apresentação de um conteúdo, por parte do professor, e logo a seguir a aplicação de uma prova, referente a este conteúdo trabalhado, a fim de obter uma classificação, medição do conceito aprendido naquele momento. (LUCKESI, 2002; PERRONOUD, 1999).

Hoffmann (2001) enriquece esta abordagem citando que:

Parece-me necessário desestabilizar práticas rotineiras e automatizadas a partir de uma tomada de consciência coletiva sobre o significado dessa prática e esse é um desafio que se tem a enfrentar! O maior dentre os desafios é ampliar-se o universo dos educadores preocupados com o “fenômeno avaliação”, estender-se a discussão do interior das escolas a sociedade, pois [...] temos o compromisso de construir outra história para as futuras gerações, descaracterizada da feição autoritária que ainda reveste, em busca de uma ação libertadora. (p. 25).

Assim como para Hoffmann (2001) há uma “feição autoritária” e uma “ação libertadora” Vasconcelos (2000) afirma a existência das perspectivas antagônica: integradora e excludente.

Outro teórico estudioso deste tema, Perrenoud (1999), também defende a concernência de duas lógicas da avaliação: a formativa (de caráter qualitativo) e a seleção (de caráter quantitativo).

A avaliação formativa tem como função ajudar o aluno a aprender e a progredir rumo aos objetivos propostos, avaliar o aprendizado através de diagnósticos, verificando o que o aluno sabia antes, e o que apreendeu naquela aula e as dificuldades encontradas. O que prevalece neste tipo de avaliação é o processo de aprendizagem, o crescimento e desenvolvimento do aluno em relação a si e aos objetivos propostos para a aprendizagem acontecer de fato. De acordo a abordagem de Hadji (2001) a mudança da forma de avaliar tradicional para a formativa acontece quando o professor passa a ver o aluno como um indivíduo que aprende de forma contínua, considerando todo o processo de aquisição do conhecimento, ou seja, do início como ele estava, o que sabia (conhecimento prévios) finalizando com o que ele acrescentou no seu saber.

A esse respeito cita-se os três passos do processo de avaliar sob a ótica de Luckesi apud Gentilde; Andrade (2001, p. 16):

1. Conhecer o nível de desempenho do aluno (constatação da realidade);
2. Comparar essa informação com aquilo que é considerado importante no processo educativo (qualificação);
3. Tomar as decisões que possibilitem atingir os resultados esperados.

Assim sendo, os critérios para a avaliação devem ser bem definidos, levando em consideração o que foi ensinado, não deixando de lado a realidade do aprendizado e desempenho do aluno e da turma.

Gardier apud Kalinke (1999, p. 135), define avaliação como:

[...] a obtenção de informações sobre as capacidades e potenciais dos indivíduos, com o duplo objetivo de proporcionar um “feedback” útil aos indivíduos e informações proveitosas para a comunidade circundante.

Dentre os referidos teóricos optou-se por aprofundar os estudos na concepção de Luckesi (2003), por esta evidenciar uma abordagem voltada muito mais para a reflexão do que simplesmente pela distinção de “tipos” de avaliação. Luckesi (2003) enfoca que o problema educação não é a avaliação e sim a aprendizagem: “Aprovação é conseqüência da aprendizagem, por isso, o que nós temos que buscar é a aprendizagem e é para isso que serve o processo avaliativo” (p. 22).


PRÁXIS PEDAGÓGICA

Os indivíduos têm ritmos diferentes e essas particularidades devem ser respeitadas pelas instituições. Prova traumatiza podendo comprometer o desempenho do aprendente. Lembra-se mais dos professores que ajudam no crescimento, desenvolvimento sem repressão, pelo modo de interagir, mediar as informações, e constata-se que os mais lembrados são os que de fato se empenharam para que o aprendizado ocorresse.

A sala de aula assemelha-se a um útero materno, é o lugar onde cada ser humano, na sua prática escolar, deve ser recebido para, num tempo, processar passos de seu desenvolvimento. Esse espaço necessita de ser acolhedor, nutridor; e o tempo necessita de ser o tempo necessário para que esse desenvolvimento se dê. (LUCKESI, 2003, p. 63).

Interesse, dificuldade ou facilidade em determinadas disciplinas estão diretamente relacionados ao perfil e à conduta do professor responsável por aquela área do saber. Outra questão é se o professor foi capaz de possibilitar ou obstruir o aprendizado e de deixar marcas profundas na performance intelectual de cada aprendente. Os efeitos do período escolar dependerão do incentivo do professor e da práxis utilizada por ele. Qualquer trabalho desenvolvido deixa marcas no indivíduo.

O ensino não se resolve com um único olhar: exige constantes balanços críticos dos conhecimentos produzidos no seu campo (as técnicas, os métodos, as teorias), para deles se apropriar. (PIMENTA; ANASTASIOU, 2002, p. 204).

Por outro lado, percebe-se que infelizmente ainda há um enorme abismo entre a teoria e a prática. Precisa-se transformar as palavras em ação. Isso é o suficiente, pois vontade de mudar já existe. O que falta é ação no educar e atitude por parte do educador.

Masetto (2003) envolvendo alguns dos elementos necessários à práxis pedagógica enfoca que:

O processo de avaliação está integrado ao processo de aprendizagem. Este resulta da inter-relação de, pelo menos, três elementos: o aluno que procura adquirir aprendizagens; o professor, cujo papel é o de colaborar para que o aluno consiga seu intento; e um plano de atividades que apresente condições básicas e suficientes, que, sendo realizados, permitam ao aprendiz atingir seu objetivo. (p.150-151).

O educador do século XXI não deve compactuar com uma prática defasada que faça continuar o mesmo modelo de avaliação de quatro séculos. Que o próximo século registre uma história diferente. Caso não apresente um modelo “novo” de avaliação, que ao menos traga um modelo emergente. (GADOTTI, 2005).

Como o ensino universitário apresenta exigências de caráter legal quanto à assiduidade e conceitos quantitativos (notas), ao professor poucas vezes é concedida a chance de criar ou experimentar outras formas de avaliação. Porém, a avaliação deve ser a ponte que leva ao resultado da aprendizagem sem, contudo ser necessário aplicar um conceito de medida.

AVALIAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES NO ENSINO SUPERIOR

A avaliação da aprendizagem é, sem dúvida, um dos assuntos mais abordados da prática educativa. Seja no ensino superior ou em qualquer outro segmento educacional, familiar, profissional. O ato de avaliar é discutido por ser visto como um dos aspectos mais importantes do trabalho pedagógico. Avaliar ou ser avaliado desperta questionamentos relevantes ao processo de aprendizagem: o que avaliar? Como avaliar? Quem avaliar? De que forma avaliar? Qual instrumento ou técnica utilizar para avaliar? Como serei avaliado? (KALINKE, 1999).

A clareza quanto aos objetivos a serem alcançados e como serão avaliados é de fundamental importância para alunos e professor, para lhes oferecer segurança quanto ao comportamento de ambos: o aluno sabendo onde deverá chegar e que passos deverá percorrer para isso; o professor sabendo quais as aprendizagens a serem obtidas pelo aluno e por meio de que referências poderá perceber se de fato foram ou não atingidas. (MASETTO, 2003, p. 156)

No cenário da educação superior as práticas avaliativas ainda não estão tão diferenciadas do que está posto nas teorias tradicionais. Embora avaliação seja um tema bastante abordado, este fica restrito a teoria, pois na prática a realidade é outra, percebe-se a necessidade de valorizar:

[...] as atividades que se realizam durante o período letivo, e as técnicas avaliativas sejam usadas para ajudar o aluno a aprender e não apenas para classifica-lo em situação de aprovação e desaprovação. (MASETTO, 2003, p. 148).

É comum discussões acerca de mudanças de paradigma, por outro lado, isso requer um esforço maior por parte do professor que ao invés de utilizar-se de instrumentos para a verificação da aprendizagem baseado em teste e prova, utilizará as produções e participações dos aprendentes durante todo processo, afinal, “a avaliação não é um momento, no final do processo de aprendizagem” (PILETTI, 2003, p. 162).

A avaliação da aprendizagem deve ser capaz de buscar o que está intrínseco no aluno no sentido de possibilitar seu crescimento como indivíduo e como integrante de uma sociedade, deve apontar para a inclusão do cidadão num ambiente prazeroso que é o do conhecimento apreendido.

Para Masetto (2003, p. 149) o processo de avaliação tem como característica: “estar integrado ao processo de aprendizagem como um elemento de incentivo e motivação para a aprendizagem”.

Avaliar a aprendizagem deveria servir como uma forma de guiar o processo de ensino, desde que realçado o aspecto positivo da avaliação que seria vivenciada pelo universitário como uma experiência que traz ganhos à sua formação. Camargo (1997) acredita que desta forma a avaliação estará favorecendo o desenvolvimento do aluno (intelectual e social) o que não seria possível enfatizando os aspectos negativos.

Quando a avaliação passa a ser um fato ameaçador, classificatório, de medição se perde no sentido de se ter prazer em aprender. No ensino superior é sinônimo de uma convivência tumultuada entre experiências tradicionais de ordem classificatória e tendências de procedimentos renovadores. De forma geral, os docentes têm dificuldades em serem coerentes quanto ao tipo de avaliação e o aluno torna-se um interlocutor passivo nessa relação conflituosa que se estabelece quanto ao tipo avaliação ao qual é submetido. Sendo assim, questiona-se quais as maneiras de avaliar para a valorização e evolução do aprendizado?

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM X EXAME

O papel da avaliação da aprendizagem é o de auxiliar na construção da aprendizagem propriamente dita. A esse respeito Luckesi (2002) contempla que a avaliação da aprendizagem não deve ser restringida a um exame, e para isso evidencia as principais divergências entre estes:

O exame julga, aprova, reprova, seleciona; a avaliação da aprendizagem vai diagnosticar para atuar na zona que necessita de apoio, ela é dinâmica e inclusiva, se preocupa com o antes, durante e depois. O aluno é um ser em desenvolvimento contínuo, o que interessa é a aprendizagem. O exame pontua, mede o resultado, observa a condição do aluno naquele instante, se ele apreende depois não serve mais e para a avaliação os resultados são provisórios, avalia-se processualmente à medida que o aprendizado vai acontecendo e o aluno se desenvolvendo, observa-se toda a atuação do aluno.

O exame é classificatório, e a avaliação é dinâmica busca o aprendizado. O exame é seletivo, excludente e a avaliação é inclusiva, ela se preocupa com o desenvolvimento do ser dentro do seu processo. O exame é estático, seu nível de aprendizado é definitivo a avaliação se adapta ao aprendizado do aluno, tem uma prática autoritária enquanto a avaliação uma prática dialógica, na qual trocam-se idéias, opiniões, conceitos, com vista à solução de problemas, ao entendimento à comunicação. Portanto entre examinar e avaliar existe características básicas.

Tomando esses dois blocos de características, facilmente percebemos que hoje, na escola, no que se refere a acompanhamento da aprendizagem dos educandos, agimos mais de forma pontual, a partir de desempenho final, classificatória, seletiva e autoritária do que não-pontual, a partir de desempenho provisório, diagnóstica, inclusiva e democrática, o que quer dizer que mais examinamos do que avaliamos. (LUCKESI, 2002, p. 30).

Deste modo a avaliação da aprendizagem visa a autonomia, enquanto o exame prega o autoritarismo. Seguindo a linha de avaliação da aprendizagem, fica explícito que o conceito perde valor, as médias aritméticas deixam de existir e o aprendizado contínuo do aluno ganha espaço. Avaliar é um ato amoroso como aborda Luckesi (2002) e complementa que:

Deste modo, o educador é aquele que acolhe, nutre, sustenta e confronta o educando, tendo em vista oferecer-lhe condições para que construa e siga seu caminho com criatividade e independência. (p. 66).

Partindo desses pressupostos, o educador que tem uma prática voltada à aprendizagem do aluno não utiliza-se do exame e sim da avaliação da aprendizagem, por entender que esta favorece de forma positiva o crescimento do aluno. Como afirma Luckesi (2003, p. 24) “Não é a avaliação que determina a pedagogia, mas sim a pedagogia que configura a avaliação”. A avaliação é um ato indissociável da prática educativa, por este motivo deve-se ter a preocupação em conhecer um pouco mais a seu respeito, os recursos avaliativos que podem ser utilizados, para que não se avalie simplesmente com base em teste e prova, que são recursos mais usados nos exames escolares.

A avaliação da aprendizagem não é e não pode continuar, equivocadamente, sendo a tirana da prática educativa, que ameaça e submete a todos. Basta de confundir avaliação da aprendizagem com exames. A avaliação da aprendizagem, por ser avaliação, é amorosa, inclusiva, dinâmica e construtiva; diversa dos exames, que não são amorosos, mas que são classificatórios, seletivos, excludentes. A avaliação inclui, traz para dentro; os exames selecionam, excluem, marginalizam. (LUCKESI, 2003, p. 31).

Julgar, aprovar e reprovar não deve ser o objetivo da avaliação, mesmo por que isto remete a entender a avaliação e também a aprendizagem como um processo estático: o que não é verdade. De acordo a ótica de Luckesi (2003, p. 28) “a avaliação da aprendizagem no ensino não será um ato pedagógico isolado, mas sim um ato integrado com todas as outras atividades pedagógicas”. Deste modo, avaliação da aprendizagem tem como alicerce as práticas construtivas que vêem o ser humano como um ser em constante evolução, crescimento, desenvolvimento, aprendizagem, enfim, um ser em construção.

A prática da avaliação da aprendizagem, em seu sentido pleno, só será possível na medida em que se estiver efetivamente interessado na aprendizagem do educando, ou seja, há que se estar interessado em que o educando aprenda aquilo que está sendo ensinado. (LUCKESI, 2002, p. 99).

Portanto, a avaliação da aprendizagem precisa ser coerente, servindo de ponte entre o aprendizado, o professor e o aluno, alinhando a edificação de indivíduos capazes de alcançar o objetivo neste processo.


CONSIDERAÇÕES FINAIS


O discurso é bonito, a atuação deixa a desejar; é fácil pensar, refletir, falar, debater, difícil é agir. Para fazer, precisa ter conhecimento e para mudar é necessário saber como e o que mudar. Nada se transforma sem ação. A forma de avaliar atualmente considerada como um dos instrumentos de que se dispõem, traz males que não estão sendo analisados. Na tentativa de transformar esse processo urge a necessidade da sensibilização para que haja uma mobilização estimulando e fortalecendo a consciência crítica sobre a problemática que a avaliação causa aos alunos.

Um período de aprendizagem não é um fim em si mesmo, mas uma forma de fazer aprender melhor e batalhar para que o fracasso escolar e as desigualdades sejam superados. A explicação sobre as causas da não aprendizagem e do fracasso escolar se encontra exatamente na prática pedagógica que não dá conta de atender à diversidade. O ensino assim, como conseqüentemente a avaliação não deve acontecer de forma a considerar uma classe de alunos como homogênea. Cada indivíduo aprende de uma maneira, tem um tempo particular e sendo assim, um tempo para ser avaliado (considerando a avaliação como processual).

O sistema educacional deve enfatizar uma nova proposta pedagógica, com estratégias inovadoras para lidar com problemas não resolvidos, aprender com experiências, compartilhar saberes e solucionar a problematização da avaliação autoritária e tradicionalista, baseado na melhoria da qualidade da educação, dando ênfase a um processo em busca da construção do conhecimento.

Espera-se muito em breve uma reflexão sobre avaliação com um processo de diálogo interativo visando fazer do indivíduo um ser melhor, mais autônomo, mais participativo, mais crítico, mais criativo, uma avaliação que leve a ação transformadora, não esquecendo da promoção social, de coletividade e da humanização.

É fundamental que se pense o processo avaliativo de forma mais global, caminhando para uma avaliação que conte com a participação de todos os envolvidos, de forma diferente e em diferentes momentos.

REFERÊNCIAS


AQUINO, Júlio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.

CAMARGO, Alzira Leite Carvalhais. O discurso sobre a avaliação escolar do ponto de vista do aluno. Revista da Faculdade de Educação do Rio de Janeiro, n. 15, fev. 1997.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 29. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

___________. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paz e Terra, 18. ed. São Paulo, 2001.

GADOTTI, Moacir. Boniteza de um sonho: ensinar e aprender. São Paulo: Positivo. 2005.

GALVÃO, Izabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1995.

GENTILDE, Paola; ANDRADE, Cristiana. Avaliação nota 10. A Revista do Professor Nova Escola. São Paulo: Abril, ano XVI, n. 147, p. 15-21, nov. 2001.

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

HADJI, Charles. Avaliação desmistificada. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001.

HOFFMANN, Jussara Maria LERCH. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. 30. ed. Porto Alegre: Medição, 2001.

KALINKE, Marco Aurélio. Para não ser um professor do século passado. Curitiba: Expoente, 1999.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

______________. A avaliação da aprendizagem na escola: reelaborando conceitos e recriando a prática.Salvador: Malabares Comunicação e Eventos, 2003.

MASETTO, Marcos Tarciso. Competências pedagógicas do professor universitário. São Paulo: Sammus, 2003.

PELLEGRINI, Denise. Fala, Mestre: um reflexo fiel da escola. A Revista do Professor Nova Escola. São Paulo: Abril, ano XVI, n. 147, p. 23-25, nov. 2001.

PERRENOUD, Philippe. Pedagogia diferenciada: das intenções à ação. Trad. Patrícia Chittoni Ramos. Porto alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

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PILETTI, Nelson. Psicologia educacional. 17. ed. São Paulo: Ática, 2003.

PIMENTA, Selma Garrido; ANASTASIOU, Lea das Graças Camargo. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002. (Coleção Docência em Formação).

VASCONCELOS, Celso dos Santos. Avaliação: superação da lógica classificatória e excludente. 4. ed. São Paulo: Libertad, 1998.

VEIGA, Ilma P. Alencastro (Org). Didática: o ensino e suas relações. 9. ed. Campinas,SP: Papirus, 1996.

[1] Graduada em Administração Geral pela Faculdade UNIBAHIA

[2] Graduada em Normal Superior- Educação Infantil pelas Faculdades Jorge Amado
[3] Conceito baseado na teoria de Wallon: o desenvolvimento do indivíduo entendido de forma integrada, levando em conta os aspectos cognitivo, afetivo e motor (GALVÃO, 1995).

Jan 24, 2007

Paulo Coelho é um escritor que respeito muito pelo simples fato que o considero culto o bastante p/ escrever sobre qualquer tema (tudo mesmo). Li um texto que deixei p/ postar aqui no blog qdo realmente eu tivesse certeza que a autoria é dele. Apenas hoje consegui encontrar 3 sites que afirmam este fato. Eis que agora posto pra vocês. Para os que ainda não gostam da escrita de P Coelho, deixo aqui uma dose homeopática; a 1ª gota que certamente vai ser capaz de transformar (mudar) seus conceitos.



Vejam abaixo o texto de Paulo Coelho que foi publicado hoje em Francês no site do jornal "Le monde". -*-*-*-*

"Obrigado, presidente Bush Obrigado, grande líder George W. Bush. Obrigado por mostrar a todos o perigo que Saddam Hussein representa. Talvez muitos de nós tivéssemos esquecido de que ele utilizou armas químicas contra seu povo, contra os curdos, contra os iranianos. Hussein é um ditador sanguinário, uma das mais claras expressões do mal hoje. Entretanto essa não é a única razão pela qual estou lhe agradecendo. Nos dois primeiros meses de 2003, o sr. foi capaz de mostrar muitas coisas importantes ao mundo, e por isso merece minha gratidão. Assim, recordando um poema que aprendi na infância, quero lhe dizer obrigado. Obrigado por mostrar a todos que o povo turco e seu Parlamento não estão à venda, nem por 26 bilhões de dólares. Obrigado por revelar ao mundo o gigantesco abismo que existe entre a decisão dos governantes e os desejos do povo. Por deixar claro que tanto José María Aznar como Tony Blair não dão a mínima importância e não têm nenhum respeito pelos votos que receberam. Aznar é capaz de ignorar que 90% dos espanhóis estão contra a guerra, e Blair não se importa com a maior manifestação pública na Inglaterra nestes 30 anos mais recentes. Obrigado porque sua perseverança forçou Blair a ir ao Parlamento com um dossiê falsificado, escrito por um estudante há dez anos, e apresentar isso como "provas contundentes recolhidas pelo serviço secreto britânico". Obrigado por fazer com que Colin Powell se expusesse ao ridículo, mostrando ao Conselho de Segurança da ONU algumas fotos que, uma semana depois, foram publicamente contestadas por Hans Blix, o inspetor responsável pelo desarmamento do Iraque. Obrigado porque sua posição fez com que o ministro de Relações Exteriores da França, sr. Dominique de Villepin, em seu discurso contra a guerra, tivesse a honra de ser aplaudido no plenário, honra que, pelo que eu saiba, só tinha acontecido uma vez na história da ONU, por ocasião de um discurso de Nelson Mandela. Obrigado porque, graças aos seus esforços pela guerra, pela primeira vez as nações árabes, geralmente divididas, foram unânimes em condenar uma invasão, durante encontro no Cairo. Obrigado porque, graças à sua retórica afirmando que "a ONU tem uma chance de mostrar sua relevância", mesmo países mais relutantes terminaram tomando posição contra um ataque. Obrigado por sua política exterior ter feito o ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, declarar em pleno século 21 que "uma guerra pode ter justificativas morais" e, ao declarar isso, perder toda a credibilidade. Obrigado por tentar dividir uma Europa que luta pela sua unificação; isso foi um alerta que não será ignorado. Obrigado por ter conseguido o que poucos conseguiram neste século: unir milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma idéia, embora essa idéia seja oposta à sua. Obrigado por nos fazer de novo sentir que, mesmo que nossas palavras não sejam ouvidas, elas pelo menos são pronunciadas, e isso nos dará mais força no futuro. Obrigado por nos ignorar, por marginalizar todos aqueles que tomaram uma atitude contra sua decisão, pois é dos excluídos o futuro da Terra. Obrigado porque, sem o sr., não teríamos conhecido nossa capacidade de mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas será útil mais adiante. Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu a um invasor: "Que sua manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque durante a tarde eu o derrotarei". Obrigado por permitir a todos nós, um exército de anônimos que passeiam pelas ruas tentando parar um processo já em marcha, tomarmos conhecimento do que é a sensação de impotência, aprendermos a lidar com ela e a transformá-la. Portanto, aproveite sua manhã e o que ela ainda pode trazer de glória. Obrigado porque não nos escutastes e não nos levaste a sério. Pois saiba que nós o escutamos e não esqueceremos suas palavras. Obrigado, grande líder George W. Bush. Muito obrigado. "
Paulo Coelho

Jan 14, 2007



ABORTO: O QUE VC PENSA SOBRE??

Olho para uma criança e penso como pode um ser humano ser capaz de tirar uma vida? Amo crianças e deixando hipocrisias de lado, ABORTAR OU NÃO ABORTAR , não seria esta a questão! Que sexo faz parte da vida de todo pobre mortal, que transar é muito bom, isso todos sabem...Mas pq será q não lembram que durante esse ato tão gostoso, cheio de prazer, de êxtase, uma criança pode ser gerada?? A solução é simples...E está à venda nas farmácias e, inclusive nos mercados: CAMISINHA... Esta é uma das enumeras maneiras de evitar uma gravidez indesejada, ou na pior das hipóteses, UM ABORTO. Não ficarei escrevendo coisas do tipo "sou a favor' "sou contra" o aborto. Apenas deixo um texto q li e achei interesante. Independente da religião o ABORTO é um caso deve ser pensado, refletido, pesado. No texto q segue Madre Teresa de Calcutá aborda este tema citando ações q envolve o não aborto. Vale a pena ler....E refletir.
Madre Teresa de Calcutá fala sobre o aborto
Washington, DC, 03/02/1994

(...) Eu sinto que o grande destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança, uma matança direta de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe.
E se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como é que nós podemos dizer às outras pessoas para não se matarem? Como é que nós persuadimos uma mulher a não fazer o aborto? Como sempre, nós devemos persuadi-la com amor e nós devemos nos lembrar que amor significa estar disposto a doar-se até que machuque. Jesus deu Sua vida por amor de nós. Assim, a mãe que pensa em abortar, deve ser ajudada a amar, ou seja, a doar-se até que machuque seus planos, ou seu tempo livre, para respeitar a vida de seu filho. O pai desta criança, quem quer que ele seja, deve também doar-se até que machuque.
Através do aborto, a mãe não aprende a amar, mas mata seu próprio filho para resolver seus problemas.
E, através do aborto, diz-se ao pai que ele não tem que ter nenhuma responsabilidade pela criança que ele trouxe ao mundo. Este pai provavelmente vai colocar outras mulheres na mesma situação. Logo, o aborto apenas traz mais aborto.
Qualquer país que aceite o aborto não está ensinando o seu povo a amar, mas a usar de qualquer violência para conseguir o que se quer. É por isso que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto.
Muitas pessoas são muito, muito preocupadas com as crianças da Índia, com as crianças da África onde muitas delas morrem de fome, etc. Muitas pessoas também são preocupadas com toda a violência nos Estados Unidos. Estas preocupações são muito boas. Mas freqüentemente estas mesmas pessoas não estão preocupadas com os milhões que estão sendo mortos pela decisão deliberada de suas próprias mães. E isto é que é o maior destruidor da paz hoje — o aborto que coloca as pessoas em tal cegueira.
E por causa disto eu apelo na Índia e apelo em todo lugar — “Vamos resgatar a criança.” A criança é o dom de Deus para a família. Cada criança é criada à imagem e semelhança de Deus para grandes coisas — para amar e ser amada. Neste ano da família nós devemos trazer a criança de volta ao centro de nosso cuidado e preocupação. Esta é a única maneira pela qual nosso mundo pode sobreviver porque nossas crianças são a única esperança do futuro. Quando as pessoas mais velhas são chamadas para Deus, somente seus filhos podem tomar seus lugares.
Mas o que Deus diz para nós? Ele diz: “Mesmo se a mãe se esquecer de seu filho, Eu jamais te esquecerei. Eu gravei seu nome na palma de minha mão.” (Is 49). Nós estamos gravados na palma da mão de Deus; aquela criança que ainda não nasceu está gravada na mão de Deus desde a concepção e é chamada por Deus a amar e ser amada, não somente nesta vida, mas para sempre. Deus jamais se esquece de nós.
Eu vou lhe contar uma coisa bonita. Nós estamos lutando contra o aborto pela adoção — tomando conta da mãe e da adoção de seu bebê. Nós temos salvo milhares de vidas. Nós mandamos a mensagem para as clínicas, para os hospitais e estações policiais: “Por favor não destrua a criança, nós ficaremos com ela.” Nós sempre temos alguém para dizer para as mães em dificuldade: “Venha, nós tomaremos conta de você, nós conseguiremos um lar para seu filho”. E nós temos uma enorme demanda de casais que não podem ter um filho — mas eu nunca dou uma criança para um casal que tenha feito algo para não ter um filho. Jesus disse, “Aquele que recebe uma criança em meu nome, a mim recebe.” Ao adotar uma criança, estes casais recebem Jesus mas, ao abortar uma criança, um casal se recusa a receber Jesus.
Por favor não mate a criança. Eu quero a criança. Por favor me dê a criança. Eu estou disposta a aceitar qualquer criança que estiver para ser abortada e dar esta criança a um casal que irá amar a criança e ser amado por ela.
Só de nosso lar de crianças em Calcutá, nós salvamos mais de 3000 crianças do aborto. Estas crianças trouxeram tanto amor e alegria para seus pais adotivos e crescem tão cheias de amor e de alegria.
Eu sei que os casais têm que planejar sua família e para isto existe o planejamento familiar natural.
A forma de planejar a família é o planejamento familiar natural, não a contracepção.
Ao destruir o poder de dar a vida, através da contracepção, um marido ou esposa está fazendo algo para si mesmo. Atrai a atenção para si e assim destrói o dom do amor nele ou nela. Ao amar, o marido e mulher devem voltar a atenção entre si como acontece no planejamento familiar natural, e não para si mesmo, como acontece na contracepção. Uma vez que o amor vivo é destruído pela contracepção, facilmente segue-se o aborto.
Eu sei também que existem enormes problemas no mundo — que muitos esposos não se amam o suficiente para praticar o planejamento familiar natural. Nós não temos condições de resolver todos os problemas do mundo, mas não vamos trazer o pior problema de todos, que é a destruição do amor. E isto é o que acontece quando dizemos `as pessoas para praticarem a contracepção e o aborto.
Os pobres são grandes pessoas. Eles podem nos ensinar tantas coisas belas. Uma vez uma delas veio nos agradecer por ensinar-lhe o planejamento familiar natural e disse: “Vocês que praticam a castidade, vocês são as melhores pessoas para nos ensinar o planejamento familiar natural porque não é nada mais que um autocontrole por amor de um ao outro.” E o que esta pobre pessoa disse é a pura verdade. Estas pessoas pobres talvez não tenham algo para comer, talvez não tenham uma casa para morar, mas eles ainda podem ser ótimas pessoas quando são espiritualmente ricos.
Quando eu tiro uma pessoa da rua, faminto, eu dou-lhe um prato de arroz, um pedaço de pão. Mas uma pessoa que é excluída, que se sente não desejada, mal amada, aterrorizada, a pessoa que foi colocada para fora da sociedade — esta pobreza espiritual é muito mais difícil de vencer. E o aborto, que com freqüência vem da contracepção, faz uma pessoa se tornar pobre espiritualmente, e esta é a pior pobreza e a mais difícil de vencer.
Nós não somos assistentes sociais. Nós podemos estar fazendo trabalho de assistência social aos olhos de algumas pessoas, mas nós devemos ser contemplativas no coração do mundo. Pois estamos tocando no corpo de Cristo e estamos sempre em Sua presença.
Você também deve trazer esta presença de Deus para sua família, pois a família que reza unida, permanece unida.
Existe tanto ódio, tanta miséria, e nós com nossas orações, com nosso sacrifício, estamos começando em casa. O amor começa em casa, e não se trata do quanto nós fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos.
Se somos contemplativas no coração do mundo com todos os seus problemas, estes problemas jamais podem nos desencorajar. Nós devemos nos lembrar o que Deus fala na Escritura: “Mesmo se a mãe esquecer-se do filho que amamenta — algo impossível, mesmo se ela o esquecesse — Eu não te esqueceria nunca.”
E aqui estou eu falando com vocês. Eu desejo que vocês encontrem os pobres daqui, na sua própria casa primeiro. E comece a amar ali. Seja a boa nova para o seu próprio povo primeiro. E descubra sobre o seu vizinho ao lado. Você sabe quem são eles?
Deus jamais nos esquecerá e sempre existe algo que você e eu podemos fazer. Nós podemos manter a alegria do amor de Jesus em nossos corações, e partilhar esta alegria com todos aqueles de quem nos aproximarmos.
Vamos insistir que — cada criança não seja indesejada, mal amada, mal cuidada, ou morta e jogada fora. E doe-se até que machuque — com um sorriso.
Porque eu falo muito sobre doar-se com um sorriso nos lábios, uma vez um professor dos Estados Unidos me perguntou: “Você é casada?” E eu disse: “Sim, e algumas vezes eu acho difícil sorrir para meu esposo, Jesus, porque Ele pode ser muito exigente — algumas vezes.” Isto é mesmo algo verdadeiro.
E é aí que entra o amor — quando exige de nós, e ainda assim podemos dar com alegria.
Se nos lembrarmos que Deus nos ama, e que nós podemos amar os outros como Ele nos ama, então a América pode se tornar um sinal de paz para o mundo. Daqui deve sair para o mundo, um sinal de cuidado para o mais fraco dos fracos — a futura criança. Se vocês se tornarem uma luz ardente de justiça e paz no mundo, então vocês serão verdadeiramente aquilo pelo qual os fundadores deste país lutaram. Deus vos abençoe!

Fonte: Frente Católica de Combate ao Aborto - http://webtec.cebinet.com.br/fcca/siteFCCA.htm

Jan 8, 2007

Este texto acabei de receber de uma professora que admiro muito... Sempre recebo
mensagns interessantes, por isso quando recebo um e-mail dela leio imediatamente. Ivonete, a referida professora, mandou este texto que é uma carta de desabafo de Rodrigo Viana (ex Rede Globo), a qual achei ser interessante ser publicada. Sei que as eleições já aconteceram e que Lula foi eleito, mas sempre é tempo de uma crítica construtiva. Espero que todos possam ler e refletir sobre o que acontece diariamente na vida de todos os brasileiros, telespectadores ou não.

LEALDADE

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo. Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu. Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!
Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.
Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.
Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".
Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.
Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.
Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!
Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto". Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior. Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui. Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira? " Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber? Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho? Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!", intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.
Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira? "
Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?
Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?
Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!
\nAh, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.\nNão vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.\nTambém não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...). O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.! Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar! Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?"Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.
Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.
Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).
O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!
Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!
Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar. E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores... E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder. Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu! Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?\nPor que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.
E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...
E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.
Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!
Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?
Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?
O JN levou um furo, foi isso? Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.\nPor que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo? Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente. E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes! Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!\nAqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...

O JN levou um furo, foi isso?
Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.
Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?
Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.
E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!
Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!
Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...
A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos! Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos? Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.\nMas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas? Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês. Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado. Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.
De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...
A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!
Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?
Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.
Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?
Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.
Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.
Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.
Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo: "(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".\nEntendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil. E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade". Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou. \nMas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia! João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno: "Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:
"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".
Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.
E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".
Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.
Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!
João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:
"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".
Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política! Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo. Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou. Mas, isso tudo tem pouca importância. Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente? Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho? Depois, não sabem porque os protestantes crescem...


Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!
Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.
Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.
Mas, isso tudo tem pouca importância.
Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?
Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?
Depois, não sabem porque os protestantes crescem...
Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira! Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental. Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais. Foram quase doze anos de Globo. Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil. Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação. Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces... Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo. Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria. Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.
Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!
Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.
Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.
Foram quase doze anos de Globo.
Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.
Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.
Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...
Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.
Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.
Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.
Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.\nMas, há as pessoas. Essas valem a pena. Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas... Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos. 2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades. Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo. Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais. Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários! Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais. Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda
Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.
Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.
Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...
1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.
2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.
Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.
Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.
Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!
Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.
Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).
\nBem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui. Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.\nUm beijo a todos.
Rodrigo Vianna

Dec 16, 2006


http://youtube.com/watch?v=ojUDnMTZjcs
Este é o link do vídeo dos Eng. do Hawaii (Barzinho e Violão)...Vale a pena conferir... Humberto no vocal é sempre bem vindo (palavras de quem idolatra este homem!!)...

Nov 9, 2006

Este texto li qdo ainda estava na graduação. Curso Normal Superior- Ed. Infantil, das Faculdades Jorge Amado. A disciplina?? PRÁTICA DE ENSINO....A professora?? CLARO Q ME LEMBRO: LINI... Lininalva Queiroz, a professora nota dez da Vitor Civitta, E NOTA 1000 PRA MIM!!! LEIAM, POIS VALE MUITO A PENA.
As perguntas fundamentais
Rubem Alves

Vou contar para vocês uma estória. Não importa se verdadeira ou imaginada. Por vezes, para se ver a verdade é preciso sair do mundo da realidade e entrar no mundo da fantasia...
Um grupo de psicólogos se dispôs a fazer uma experiência com macacos. Colocaram cinco macacos dentro de uma jaula. No meio da jaula, uma mesa. Acima da mesa, pendendo do teto, um cacho de bananas. Os macacos gostam de bananas. Viram a mesa. Perceberam que subindo na mesa alcançariam as bananas. Um dos macacos subiu na mesa para apanhar uma banana. Mas os psicólogos estavam preparados para tal eventualidade: com uma mangueira deram um banho de água fria nos macacos. O macaco que estava sobre a mesa, ensopado, desistiu provisoriamente do seu projeto. Passados alguns minutos voltou o desejo de comer bananas. Outro macaco resolveu comer bananas. Mas ao subir na mesa, outro banho de água fria. Depois do banho se repetir por quatro vezes os macacos concluiram que havia uma relação causal entre subir na mesa e o banho de água fria. E como o medo da água fria era maior que o desejo de comer bananas, resolveram que o macaco que tentasse subir na mesa levaria uma surra. Quando um macaco subia na mesa, antes do banho de água fria os outros lhe aplicavam a surra merecida.
Aí os psicólogos retiraram da jaula um macaco e colocaram no seu lugar um outro macaco que nada sabia dos banhos de água fria. Ele se comportou como qualquer macaco. Foi subir na mesa para comer as bananas. Mas antes que o fizesse os outros quatro lhe aplicaram a surra prescrita. Sem nada entender e passada a dor da surra, voltou a querer comer a banana e subiu na mesa. Nova surra. Depois da quarta surra ele concluiu : “Nessa jaula macaco que sobe na mesa apanha.” Adotou então a sabedoria cristalizada pelos políticos humanos que diz: “se você não pode derrotá-los, junte-se a eles.”
Os psicólogos retiraram então um outro macaco e o substituiram por outro A mesma coisa aconteceu. Os três macacos originais mais o último macaco, que nada sabia da origem e função da surra, lhe aplicaram a sova de praxe. Esse último macaco também aprendeu que naquela jaula quem subia na mesa apanhava.
E assim continuaram os psicólogos a substituir os macacos originais por macacos novos, até que na jaula só ficaram macacos que nada sabiam sobre o banho de água fria. Mas, a despeito disso, eles continuavam a surrar os macacos que subiam na mesa. Se perguntássemos aos macacos sobre a razão das surras, eles responderiam: “ É assim porque é assim. Nessa jaula macaco que sobe na mesa apanha”... Haviam se esquecido completamente das bananas e nada sabiam sobre os banhos. Só pensavam na mesa proibida.
Vamos brincar de “fazer de contas”. Imaginemos que as escolas são as jaulas e nós estamos dentro delas... Por favor, não se ofenda, é só “faz de contas”, fantasia, para ajudar o pensamento. Nosso desejo original é comer bananas. Mas já nos esquecemos delas. Há, nas escolas, uma infinidade de coisas e procedimentos cristalizados pela rotina, pela burocracia, pelas repetições, pelos melhoramentos. À semelhança dos macacos aprendemos que “é assim que são as escolas”. E nem fazemos perguntas sobre o sentido daquelas coisas e procedimentos para a educação das crianças. Vou da alguns exemplos.
Primeiro, a arquitetura das escolas. Todas as escolas têm corredores e salas de aula. As salas servem para separar as crianças em grupos segregando-as umas das outras. Por que é assim? Tem de ser assim? Haverá uma outra forma de organizar o espaço que permita a interação e cooperação entre crianças de idades diferentes, tal como acontece na vida? A escola não deveria imitar a vida? Programas. Um programa é uma organização de saberes numa determinada sequência. Quem determinou que esses são os saberes e que eles devem ser aprendidos na ordem prescrita? Que uso fazem as crianças desses saberes na sua vida de cada dia? As crianças escolheriam esses saberes? Os programas, servem eles igualmente para crianças que vivem nas praias de Alagoas, nas favelas das cidades, nas montanhas de Minas, nas florestas da Amazônia, nas cidadezinhas do interior? Os programas são dados em unidades de tempo chamados “aulas”. As aulas têm horas definidas. Ao final toca-se uma campainha. A criança tem de parar de pensar o que estava pensando e passar a pensar o que o programa diz que deve ser pensado naquele tempo. O pensamento obedece as ordens das campainhas? Por que é necessário que todas as crianças pensem as mesmas coisas, na mesma hora, no mesmo ritmo? As crianças são todas iguais? O objetivo da escola é fazer com que as crianças sejam todas iguais?
A questão é fazer as perguntas fundamentais: Por que é assim? Para que serve isso? Poderia ser de outra forma? Temo que, como os macacos, concentrados no cuidado com a mesa, acabemos por nos esquecer das bananas...

Nov 5, 2006

Recebi este texto de um professor... Na verdade Prof. Paulo só encaminha produções que são reflexivas. Não lembro de ter recebido um texto que não fosse de assunto sério, de interesse popular ou até mesmo indvidual. Com certeza este conteúdo abaixo tem que ser repassado. Espero que leiam e, claro repassem.

População critica cobertura; Globo faz abaixo-assinado pra se defender


Protestos contra atuação da mídia nas eleições saíram das críticas na internet e chegaram às ruas, como nas manifestações durante a festa da reeleição de Lula (foto). Para defender sua cobertura, chefia da Globo colocou abaixo-assinado "à disposição" dos jornalistas.
Bia Barbosa – Carta Maior
SÃO PAULO – A cena foi das mais curiosas da festa em comemoração à vitória do presidente Lula na Avenida Paulista, na noite do último domingo (29): postado em frente ao palco onde discursava o presidente reeleito, o repórter da TV Globo não conseguia fazer sua passagem (no jargão jornalístico, o trecho da matéria em que o repórter aparece no vídeo) porque a população, do lado de trás da grade, não parava de gritar: “Fora, Rede Globo! Fora, Rede Globo!”. Horas depois, o carro da emissora saiu vaiado do local da festa. Eleitores de Lula carregavam cartazes que diziam: “Lula de novo, para a tristeza da Globo e alegria do povo”; “Lula, nós estamos com você. Veja e Globo, nós estamos de olho em vocês. 3o turno não!”; “FHC, Veja, Kamel, Globo: terroristas da democracia. Parem com o golpismo. Quem manda no meu voto sou eu” e “Viva as informações via internet”.Junto com vários amigos, o professor Sebastião Alves de Oliveira Júnior encomendou uma grande faixa para o dia do segundo turno. Os dizeres “O povo venceu a mídia” atravessaram toda a pista esquerda da Avenida Paulista. E os aplausos de quem passava não foram poucos. “Fizemos a faixa porque estamos indignados com a ditadura do quarto poder. Resolvemos fazer uma homenagem aos injustiçados. A mídia tentou influenciar muito nesta eleição. Não é possível ter quatro famílias mandando na opinião pública de um país de 180 milhões de pessoas. Temos que criar mecanismos para democratizar a mídia”, disse Oliveira.Um pouco mais a frente, o servidor público Airton De Grande também era aplaudido por carregar o cartaz que dizia “Recado aos patrões da impren$a desonesta: Civitas, Marinhos, Mesquitas & Frias, vocês perderam!!! Agora só em 2010... antes é golpe”. Segundo De Grande, o cartaz representava um desabafo contra os quatro grandes veículos que “foram desleais ou no mínimo ineficientes do ponto de vista do bom jornalismo”. Apesar disso, avalia, o povo conseguiu fazer uma leitura adequada da mídia e saber quem errou. Na segunda-feira, as críticas contra a atuação da grande imprensa continuaram em Brasília, quando militantes que se reuniram para receber o presidente Lula de volta à capital protestaram contra a imprensa. Nesta quarta (1/11), a relação da mídia com o governo está estampada na grande maioria dos jornais, em matérias que vão do programa de comunicação para o segundo mandato às repercussões das reclamações dos jornalistas da revista Veja após seu depoimento à Polícia Federal. O aspecto positivo deste momento é que em poucos períodos da história recente do Brasil se discutiu tanto a atuação da imprensa nos processos eleitorais. O negativo é que tamanho debate é resultado concreto de um ultrapassar de limites da grande imprensa nas últimas eleições – o que ficou comprovado, inclusive, por meio das diversas análises realizadas pelo Observatório Brasileiro de Mídia ao longo da campanha (clique
aqui para consultar os estudos).Um dos episódios mais recentes deste embate foi o abaixo-assinado produzido por funcionários da Rede Globo em resposta às reportagens da revista Carta Capital acerca da omissão e manipulação de fatos durante o processo eleitoral por parte da grande mídia. O texto, assinado por 172 jornalistas, foi divulgado na internet dois dias antes do segundo turno e inicia falando da “revolta, perplexidade e pesar” que sentem os jornalistas da Globo, que se viram no “dever de denunciar a insistente tentativa de atingir nossa honra e nossa correção profissional por alguns supostos colegas nestes dias que antecedem o encerramento das eleições 2006”.Em artigo publicado nesta terça na página do Observatório da Imprensa (leia “Abaixo-assinado frustrado da TV Globo”), Marcelo Salles afirma que, se a idéia da Globo era deslocar o eixo das críticas à empresa para o campo da ofensa pessoal, como faz entender este primeiro parágrafo, o resultado não foi o esperado.“Em nenhum momento houve tentativa de calúnia ou ofensa à honra dos profissionais envolvidos na apuração, como tenta fazer parecer o abaixo-assinado. Basta pegar a revista e reler. Raimundo [Pereira, autor das reportagens de Carta Capital] inclusive chega a afirmar, na mesma página 23, que a 'questão da divulgação das fotos mobilizou a cúpula do jornalismo da tevê dos Marinho'”, escreveu Salles.O documento continua, explicando a posição da reportagem da Globo sobre a divulgação, no Jornal Nacional, do acidente com o vôo 1907 da Gol na véspera do primeiro turno. Na verdade, o documento responde aos questionamentos feitos por Carta Capital sobre o fato da Globo não ter noticiado, naquele dia, o desaparecimento do avião da Gol, focando o jornal na divulgação das fotos do dinheiro apreendido durante a tentativa de compra do dossiê contra o PSDB.O abaixo-assinado termina dizendo que os jornalistas não toleram que sua postura “correta de cautela e busca da precisão seja transformada numa mentira covarde e desonesta de um certo grupo de detratores. Estes, sim, traidores de um compromisso ético do jornalismo – porque nos acusam sem o menor pudor, sem conhecimento nenhum de nossos procedimentos. Em nome de nossa honra, nós, jornalistas da Rede Globo, registramos publicamente nosso repúdio às calúnias que têm sido feitas contra nosso trabalho na cobertura das eleições 2006. Somos jornalistas compromissados com a nossa profissão. Confiamos cada um no trabalho do colega ao lado. Jamais tomaríamos parte de complôs de natureza partidária, ou de qualquer outra, que, na verdade, têm vida apenas na cabeça daqueles que, dominados pela paixão política, não se envergonham de caluniar profissionais honestos”.Na verdade, o abaixo-assinado, ao focar nas explicações da emissora acerca da cobertura do acidente da Gol, indiretamente tenta desqualificar toda a reportagem feita por Carta Capital sobre a cobertura da Globo nas eleições. Usa de um sofisma, tentando induzir o leitor a acreditar que, já que a postura da Globo estava correta em não noticiar o acidente naquele momento – e que, portanto, errados estavam os que criticaram essa opção –, também estava correta, por tabela, no que se refere ao restante da cobertura. Não se trata, portanto, de fazer um abaixo-assinado para discutir se a emissora tinha ou não as informações completas sobre o desaparecimento do avião da Gol e, se tinha, por que resolveu não colocá-las no ar. Trata-se de uma defesa quase incondicional da postura do jornalismo da Rede Globo nas eleições – considerado imparcial –, assinada por 172 de seus profissionais. Segundo declaração de Mônica Maria Barbosa, chefe de reportagem do Jornal Nacional, ao site Comunique-se, que divulgou o abaixo-assinado, o documento teria sido uma atitude “absolutamente espontânea dos profissionais”. Foi assim que o texto foi “vendido” para as praças da Globo, para facilitar a adesão dos colegas. Não é isso, no entanto, o que contam os jornalistas da emissora que conversaram com a reportagem da Carta Maior.Segundo eles, o abaixo-assinado foi escrito a pedido da cúpula do jornalismo da emissora e teria circulado pronto na redação para a coleta de assinaturas. A responsável pelo texto seria a própria Mônica Maria Barbosa. No dia em que as assinaturas estavam sendo coletadas, houve um princípio de discussão sobre o assunto na redação de São Paulo. Diante dos questionamentos dos jornalistas, Mariano Boni, um dos chefes da reportagem, rebateu dizendo que “quem não estiver satisfeito com a cobertura da Globo que pegue o chapéu e vá para a Record”. Do Rio de Janeiro, a editora-chefe do Globo Repórter, Sílvia Sayão, ligou para sua equipe em São Paulo dizendo que “seria bom se os jornalistas assinassem o documento”. O texto não circulou entre os repórteres-cinematográficos, considerados uma parcela da categoria mais avessa a essas atitudes da chefia. Alguns profissionais que antes tinham assinado o documento pediram a retirada de seus nomes – o que criou um forte constrangimento interno. Como vários jornalistas descreveram à Carta Maior, estava aberta ali a “caça às bruxas” dentro da Globo. “Não se trata de demitir quem não colocou o nome no abaixo-assinado, mas assim eles ficam sabendo com quem podem contar ali dentro”, disse um repórter. “Foi um jeito de colocar o guizo no rabo de alguns gatos”, disse outro. Em alguns comentários de profissionais da Globo deixados nas páginas da internet que publicaram o abaixo-assinado fica claro como muitos realmente assinaram de forma espontânea o texto. Outros, no entanto, confessaram depois não ter percebido que isso seria usado como instrumento político pela empresa. Funcionaram como escudo para a chefia do jornalismo da Globo, principalmente para Ali Kamel, que ficou bastante exposto depois das reportagens de Carta Capital. No dia 19 de outubro, depois da publicação da primeira capa de Carta Capital sobre a cobertura da imprensa do caso da compra do dossiê – que trazia uma página com as questões formuladas e não respondidas por Kamel –, a Globo soltou um comunicado interno aos seus funcionários, enviado a todos os usuários de email do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife. Um trecho do texto dizia o seguinte: “A revista Carta Capital publicou uma denúncia generalizada contra a chamada grande mídia e um ataque direto contra a TV Globo. Antes dessa veiculação, a revista enviara um questionário à Central Globo de Jornalismo, cujo teor não deixava dúvida de que estava mal-intencionada: as perguntas partiam sempre de premissas falsas e se referiam a episódios que nunca existiram. Preferimos dar uma resposta geral, reafirmando nossa convicção de que estamos realizando uma cobertura isenta das eleições. Era mesmo uma armadilha, já que os principais ataques da revista à TV Globo sequer constavam do questionário enviado”. Em anexo ao comunicado, a Central Globo de Pesquisa e Recursos Humanos enviou duas páginas escritas por Kamel rebatendo as acusações. O texto, pago pela Globo, foi publicado na Carta Capital da semana seguinte. “Em vez de adotar uma postura humilde e se explicar, a direção da TV Globo insiste em se fazer de vítima e ainda contra-ataca, sem dar nomes, a todos os que 'não se envergonham de caluniar profissionais honestos'. Em outras palavras, todos os que questionaram a manipulação da Globo às vésperas do primeiro turno. Triste a empresa que não consegue justificar suas práticas condenáveis e se esconde atrás de 172 funcionários”, escreveu Marcelo Salles no Observatório da Imprensa.Na semana em que o comunicado interno foi enviado, um repórter da emissora que trabalha no Rio de Janeiro viu Ali Kamel chorando na redação. Na semana passada, a Rede Globo enviou um representante a Brasília para conversar com o governo Lula. Se isso se mostra necessário, sinal de que o receio da perda da credibilidade junto à população não é nada fictício.

Nov 4, 2006

YouTube - Motivação para Vida!!!

“Pensa-se, comumente, que a tarefa de um político é administrar o país: pôr a casa em ordem, construir coisas novas, consertar coisas velhas, cuidar das finanças, da saúde, da segurança, da justiça, dos meios de comunicação, incluída, inclusive, a administração dos meios de escolarização existentes, coisa sob a responsabilidade do ministério da educação. Discordo. Existe uma diferença qualitativa entre aquilo que fazem os ministérios administrativos e aquilo que o ministério da educação deve fazer. A diferença entre eles é simples. Os ministérios administrativos cuidam do hardware do país. Eles lidam com a ‘musculatura’ nacional. O ministério da educação tem a seu cuidado o software do país. Ele cuida da ‘inteligência’ nacional. Seu objetivo é fazer o povo pensar. Porque um país – ao contrário do que me ensinaram na escola – não se faz com as coisas físicas que se encontram em seu território, mas com os pensamentos de seu povo”. (Rubem Alves)

Como não concordar com Rubem??? Pensar, ser crítico, ter autonomia, personalidade, fazer valer seus direitos (e deveveres), ser autêntico, verdadeiro, honesto...Ah, eu passaria o dia todo digitando palavras que represetam as caractarísticas que acredito ser imprescindíveis no ser humano.Cada dia mais tenho certeza de que estou no cainho certo: EDUCAÇÃO. Quero ser professora para poder somar com os meus aprendentes um pouco desta vontade de querer ver meu país melhor, de ver o ser humano ser mais humano. Pensar não é tudo, é necessário agir, porém não são todas as pessoas que vieram a este mundo com este propósito. Infelizmente muitas são acomodadas, passivas, fracas, sem iniciativa, sem coragem.
Obrigada Senhor, por eu existir e ser exatamente do jeito que sou...Sem tirar nem pôr...Sem falsas modéstias: EU ME AMO!!!

Esta música tocou na minha formatura...eu ouvi a primeira vez no carro com Bia...Foi amor a 1ª "ouvida"!!! rsrsrrs Veja a letra e se quiser ouvir clique no link abaixo...Vale a pena. Eu estou desde ontem repetindo incasavelmente esta música. Preciso ouvi-la pra acalmar meus ânimos. Dai-me força, oh Senhor!

HÁ UMA LUZ MAIOR
(Manno Goes e Mané Filho)

VALE A PENA ACREDITAR NO QUE OS OLHOS NÃO PODEM VER
VALE A PENA SER FELIZ PORQUE
AH UMA LUZ MAIOR / AH UMA LUZ MAIOR
JÁ NÃO BASTA RECLAMAR DO MAL, E DAS COISAS QUE NÃO VEM
ENCARAR DE FRENTE O VENDAVAL, COM UMA FORÇA QUE PROVEM
DE UMA LUZ MAIOR, DE UMA LUZ MAIOR
SEI QUE TUDO TEM SEU TEMPO, MAIS SEI QUE O TEMPO É CURTO E QUE A ESTRADA É LONGA DEMAIS
É PRECISO SER COMO O VENTO, SEM OLHAR PRA TRAZ
SEMEAR A PAZ, DESSA LUZ MAIOR

O TEMPO APAGA O QUE O TEMPO ESCREVE,
O TEMPO CURA O QUE O TEMPO FERE
AS NOSSAS PROCURAS SÃO DE TER O FIM
AS NOSSAS PERGUNTAS TEM RESPOSTAS SIM, É ASSIM
AHHHH, AHHHHHH AH AH AHHHHH
AH UMA LUZ MAIOR

SEI QUE TUDO TEM SEU TEMPO
MAIS SEI QUE O TEMPO É CURTO
E QUE A ESTRADA É LONGA DEMAIS
É PRECISO SER COMO O VENTO
SEM OLHAR PRA TRAZ
SEMEAR A PAZ
DESSA LUZ MAIOR
O TEMPO APAGA O QUE O TEMPO ESCREVE
O TEMPO CURA O QUE O TEMPO FERE
AS NOSSAS PROCURAS SÃO DE TER O FIM
AS NOSSAS PERGUNTAS TEM RESPOSTAS SIM
É ASSIM
AHHHH, AHH AH AH AH AH
AH UMA LUZ MAIOR


http://youtube.com/watch?v=IyZACmF3RAk

Oct 15, 2006


Como surgiu o Dia do Professor


"Tudo começou com um decreto imperial, de 15 de outubro de 1827, que trata da primeira Lei Geral relativa ao Ensino Elementar. Este decreto, outorgado por Dom Pedro I, veio a se tornar um marco na educação imperial, de tal modo que passou a ser a principal referência para os docentes do primário e ginásio nas províncias. A Lei tratou dos mais diversos assuntos como descentralização do ensino, remuneração dos professores e mestras, ensino mútuo, currículo mínimo, admissão de professores e escolas das meninas.


A primeira contribuição da Lei de 15 de outubro de 1827 foi a de determinar, no seu artigo 1º, que as Escolas de Primeiras Letras (hoje, ensino fundamental) deveriam ensinar, para os meninos, a leitura, a escrita, as quatro operações de cálculo e as noções mais gerais de geometria prática. Às meninas, sem qualquer embasamento pedagógico, estavam excluídas as noções de geometria. Aprenderiam, sim, as prendas (costurar, bordar, cozinhar etc) para a economia doméstica.
Se compararmos a lei geral do período imperial com a nossa atual lei geral da educação republicana, a Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), persegue ainda ideais imperiais, ao estabelecer, entre os fins do ensino fundamental, a tarefa de desenvolver a “capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo”. Portanto, mais de um sesquicentenário da lei, perseguimos os meus objetivos da educação imperial.


A Lei de 15 de novembro também inovou no processo de descentralização do ensino ao mandar criar escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império. Hoje, além da descentralização do ensino, para maior cobertura de matrícula do ensino fundamental, obrigatório e gratuito, o poder público assegura, por imperativo constitucional, sua oferta gratuita, inclusive, para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria (Inciso I, artigo 208, Constituição Federal).


A remuneração dos professores é, historicamente, o grande gargalo da política educacional, do Império à Nova República, de Dom Pedro I a Fernando Henrique Cardoso I e II. O grande mérito do Imperador, ao outorgar a Lei de 15 de outubro de 1827, foi o de não se descuidar, pelo menos, formalmente, dos salários dos professores. No artigo 3º da lei imperial, determinou Dom Pedro que os presidentes, em Conselho, taxariam interinamente os ordenados dos Professores, regulando-os de 200$000 a 500$000 anuais, com atenção às circunstâncias da população e carestia dos lugares.


O economista Antônio Luiz Monteiro Coelho da Costa, especialista em cotação de moedas, atendendo minha solicitação, por e-mail, fez a conversão dos réis, de 1827, em reais de 2001 (discutíveis): estima Luiz Monteiro que 200$000 eqüivalem a aproximadamente R$ 8.800,00 (isto é, a um salário mensal de R$ 680, considerando o 13º) e 500$000 a aproximadamente R$ 22.000(R$ 1.700, por mês).


Os dados mostram como os professores, no século XXI, em se tratando de remuneração, recebem bem aquém dos parâmetros estabelecidos pela lei imperial, no longínquo século XIX. De acordo com dados recentes do Ministério de Educação, do total de professores, 65% ganham menos que R$650, 15% ganham entre R$650 e R$900 e 16% ganham mais de R$900. O salário médio mensal, de acordo com o senso do Ministério de Educação, é de R$1.474 nas escolas federais, R$656 nas particulares, R$584 nas estaduais e R$372 na municipais. Nos municípios cearenses, ainda encontramos milhares de professores recebendo (e com atraso) menos do que um salário mínimo vigente.


Atualmente, a Constituição Federal de 1988, no seu inciso V, artigo 206, garante, como princípio de ensino, aos profissionais de ensino, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional, mas até agora, não há vontade política para se determinar o valor do piso salarial profissional condigno para os professores.

A Lei de 15 de outubro de 1827 trouxe, por fim, para época, inovações de cunho liberal como a co-educação, revelada através da inclusão das meninos no sistema escolar e que as mestras, pelo artigo 13, não poderiam perceber menos do que os mestres.


A formação dos professores foi lembrada pela lei imperial. No seu artigo 5º, os professores que não tinham a necessária instrução do ensino elementar iriam instruir-se em curto prazo e à custa dos seus ordenados nas escolas das capitais.


Preocupados, hoje, com os 210 mil professores leigos, sem formação sequer do pedagógico ofertado no ensino médio, o Brasil contemporâneo, através da Emenda Constitucional n.º 14, de 12 de setembro de 1996 , a LDB, o Fundef, todos promulgados em 1996, orientam os governantes e as universidades para as licenciaturas breves, na luta contra esse déficit de professores habilitados para o magistério escolar, mas com o apoio financeiro do poder público em favor dos professores de rede pública de ensino (Magister, no Ceará, é um bom exemplo).


A expectativa da sociedade, política e civil, é a de habilitar, em nível superior, até o ano de 2007, o grande contigente de professores leigos da educação básica. Será que, ao comemorarmos o Dia do Professor em 2007, 180 anos depois da primeira geral da educação imperial, teremos atingido esse desiderato republicano? "


Vicente MartinsProfessor Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), de Sobral.


Fonte de Pesquisahttp://www.psicopedagogia.com.br


Projeto de Lei que instituiu a data comemorativa


"...O Deputado Estadual Paulista, Dr. Antonio Carlos de Salles Filho, no mandato 1947/51, é o autor do Projeto de Lei que instituiu tal homenagem, em âmbito do território do Estado de São Paulo - e, mais tarde, já como Deputado Federal, no mandato 1955/59, fê-lo com espectro e abrangência nacional, passando os abnegados professores a, pelo menos isto, terem seu dia especial, 15 de outubro...."
Informações enviadas por:Antonio Luiz Barros de Salles

Oct 12, 2006

DIA DOS PROFESSORES


"Ensinar é um exercício da imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais..." (Rubem Alves)
Uma pequena homenagem a estes profisionais que têm nas mãos a possibilidade da transformação social. Que saibamos agir nos ambientes de aprendizagens de forma a favorecer a conscientização, criticidade, ética, conhecimento, trocas... Que cada aprendente tenha a oportunidade de crescimento e que tudo isso em conjunto cumine num ser dotado de cidadania plena.
Ofereço esta música abaixo (dos Abelhusdos) a todos os professores que amam o que fazem e fazem o que amam... Em especial as minhas amigas e colegas da faculdade (UM ANO DE FORMADAS!!!!).

Ao Mestre Com Carinho
Composição: Abelhudos


Quero aprender sua lição que faz tão bem pra mim

Agradecer de coração por você ser assim

Legal ter você aquium amigo em que eu posso acreditar

Queria tanto te abraçar

Pra alcançar as estrelas não vai ser fácil, mas se eu te pedir

você me ensina como descobrir qual é o melhor caminho

Foi com você que eu aprendi a repartir tesouros

Foi com você que eu aprendi a respeitar os outros

Legal ter você aqui um amigo em que eu posso acreditar

Queria tanto te abraçar

Pra mostrar pra você que eu não esqueço mais essa lição

Amigo, eu ofereço essa canção

Ao mestre com carinho

Foi com você que eu aprendi a repartir tesouros

Foi com você que eu aprendi a respeitar os outros

Legal ter você aquium amigo em que eu posso acreditar

Queria tanto te abraçar

Pra mostrar pra você que eu não esqueço mais essa lição

Amigo, eu ofereço essa canção

Ao mestre com carinho



Oct 10, 2006


Mais uma sobre saber ouvir... Uma tirinha que embora engraçada, apresenta cena bastante comum na vida da sociedade atual. Vamos refletir!!

Oct 9, 2006


ESCUTATORIA
A ARTE DE SABER OUVIR



INTRODUÇÃO:

Você sabe ouvir?

Ou você é daquelas pessoas que fala, fala, fala e só você fala, não deixa ninguém falar e se tentar falar você logo interrompe?
Se você é assim essa WQ é para você.
O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos, mesmo por que na concepção milenar tradicional, o professor verbalizava e o aluno apenas ouvia.

Mas, a nossa proposta é EDUCAR você aluno, professor, pessoa comum a viver a sabedoria do bom OUVINTE.
VAMOS TENTAR?


TAREFA:

“Tenho a impressão de que, se os jovens não gostam de ler, é porque não tiveram a experiência de ouvir a leitura feita por um possuído”. (William Shakespeare). “Todo mundo quer aprender a falar”. (Rubens Alves)

Mas você com certeza quer aprender a ouvir.


PROCESSO

“Todos querem mudar o mundo, mas ninguém quer mudar a si mesmo”
A única pessoa que você pode mudar é você mesmo”. (HUNTER)

Não saber ouvir, é um defeito gravíssimo. Coisa alguma corta mais a alegria de um falante (professor, palestrante, amigo contando algo), quando um ouvinte está frenético para entrar na conversa, logo que haja uma deixa.



Formem grupos de 5 pessoas.
Ter uma reunião de 20 minutos de segunda a sexta-feira.
Cada dia da semana, uma pessoa do grupo falará sobre o assunto que quiser e as outras 4 ouvirão, no outro dia outra pessoa falará e as outras 4 ouvirão e assim sucessivamente até que todos tenham falado e todos tenham feito o exercício de ouvir, apenas ouvir.
Sendo que você falará apenas 20 minutos e ouvirá, com os ouvidos bem atentos, 80 minutos.
No dia da fala, só poderá falar a pessoa que estiver no seu dia de falar, as outras pessoas tem que apenas OUVIR.

FONTES DE INFORMAÇÃO

http://www.gestaoerh.com.br/site/visitante/artigos/cmmk_009.php

http://www.mol.org.br/index.cfm?FuseAction=noticias.Detalhe&nNoticia=6478&unecod=1

http://www.palestrarte.com.br/artigos/default.asp?id=55

http://bonsfluidos.abril.uol.com.br/hotsite/relacionamento/relacionamento08.shtml
http://caosmose.net/candido/unisinos/textos/escutatoria.doc
http://64.233.187.104/search?q=cache:abSfGJBkdooJ:caosmose.net/candido/unisinos/textos/escutatoria.doc+A+arte+da+%22escutat%C3%B3ria%22&hl=pt-BR&gl=br&ct=clnk&cd=2

AVALIAÇÃO:

A avaliação será feita por cada falante.
Cada ouvinte terá 2,5 pontos se realmente ouviu escutando e internalizando o que foi falado. Cada falante anotará no final de sua fala a pontuação dos ouvintes. Havendo falta a reunião perderá 2,5 pontos em cada falta.
Pontuação: Se no final das 5 reuniões você atingir:
10 pontos você é um EXCELENTE ouvinte.
7,5 pontos você é um BOM ouvinte;
5,0 pontos você precisa melhorar
2,5 pontos você não sabe ouvir. Pratique a arte de ouvir, reveja suas atitudes e forme um novo grupo, assim quem sabe você aprenda a ouvir.

Para finalizar no sábado ou no domingo reúnam-se e assistam a um filme (não legendado) e vejam se já aprenderam a ouvir. Depois comentem, troquem opiniões, mas, não esqueçam de OUVIR, OuViR, a opinião de todos.


CONCLUSÃO:

Grandes recompensas espera quem se dispõe a ouvir com atenção. A alma se enriquece no silêncio da escuta. Em troca, o outro oferece seu coração.

“A cultura milenar dos orientais ensina que um dos atributos essenciais para uma melhor convivência no dia-a-dia e nas relações do trabalho é aprender a escutar. Neste caso escutar é ir além do simples fator físico-mental. É interpretar muito mais que sons e palavras: ouvir o outro. É usar da empatia, ou seja, colocar-se no lugar do seu interlocutor. Tarefa difícil para alguns e normalmente não praticada por muitos.” Rogério Martins

A tarefa visa desenvolver em você a arte de saber ouvir.

"Ouvir bem apura sua sensibilidade, permitindo-lhe romper a concha de isolamento criada pelo individualismo e participar das experiências e emoções alheias".( Wendell Johnson)

Augusto Cury nos apresenta 5 etapas para a Arte de OUVIR:

1. Arte de se esvaziar para ouvir o que os outros têm para dizer e não o que queremos ouvir.
2. A capacidade de se colocar no lugar dos outros e perceber suas dores e necessidades sociais.
3. Penetrar no coração psíquico e desvendar as causas da agressividade, da timidez, da angustia, dos comportamentos estranhos.
4. Interpretar o que as palavras não disseram e o que as imagens não revelaram.
5. Ter a sensibilidade para respeitar as lágrimas visíveis e perceber as que nunca foram choradas.

É raro encontrarmos um bom ouvinte, porque, para ouvir outra pessoa, temos que admitir que o que temos a dizer é menos importante que aquilo que ela nos diz.

Revele-se um EXCELENTE ouvinte, ai vai as dicas:

1. Ouça, refletindo, e depois respondendo.
2. Não interrompa as pessoas, não eleve o seu tom de voz, nem se irrite com opiniões contrárias.
3. Exercite a empatia, procurando entender o que o outro fala, e também como ele se sente.
4. Incline seu corpo na direção do interlocutor.
5. Mantenha seu rosto expressivo, reagindo de acordo com o que está sendo dito.

Ai sim teremos a certeza que você é um EXCELENTE ouvinte.


CRÉDITOS

CURY, Augusto. 12 semanas para mudar uma vida. São Paulo: Academia da Inteligência, 2004.

HUNTER, James C. O monge e o executivo. Uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 9ª ed. 2004.

Oct 2, 2006

As Novas Tecnologias e a Educação


“O livro tem um caso com a aparelhagem de som, a tv flerta com o jornal, o cinema com satélite, o telefone com o vídeo cassete... todos abençoados pelo computador, que é o sacerdote supremo dessa promiscuidade cibernética, a multimídia”.

(Marcelo Tas)

A tecnologia invadiu as casas, escolas, empresas e demais instituições. Os recursos tecnológicos se expandiram pelo universo.
Atualmente a sociedade depende dos recursos tecnológicos. A concepção de mundo vem sendo delimitada por meio das informações recebidas através das novas tecnologias.
Desde as primeiras invenções humanas, a vida tem sido facilitada seja na comunicação, no bem estar, na facilitação de resolver problemas... Iniciou-se um processo de transição. A pós-modernidade evidencia todas as evoluções e descobertas: a escrita, a imprensa, o livro, o telefone, o cinema, o rádio, a televisão, o computador e todos os demais recursos voltados à informatização. O mundo está digitalizado.
A era da informática não é outra senão esta.
A educação se mantém atualizada e a cada passo evolutivo cria novos espaços que propiciam aquisição de conhecimentos. Pode-se dizer que a educação tem uma proposta inovadora e globalizada. O ensino vem rompendo com as fronteiras das salas de aula e dos muros das escolas. Ambientes reais e virtuais são explorados e aproveitados de forma significativa. O professor de hoje é um link entre o aluno e o mundo infor globalizado. Através dele o aluno apreende e incorpora novos conhecimentos, inclusive a respeito das novas tecnologias.
Educadores sempre há de existir independente do contexto escolar ser virtual ou presencial. De fato existe uma troca entre os conectados que sempre gera aprendizagem e conhecimento ampliado, e para isto a globalização está a serviço da humanidade.
Por outro lado, há duas vertentes: os prós e contras da globalização. O desafio para educadores e não deixar que a escola perca sua essência. Esta deve ser inserida num contexto global que favoreça a aprendizagem, pois as novas tecnologias também trazem novos conhecimentos.

Oct 1, 2006

Esse conto eu achei muito interessante e mesmo não sendo da minha autoria, decidi postar aqui pra dividir com vocês!


CONTO PROPAROXÍTONO

por Luiz Henrique Mignone

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem m entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.

Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula: ele não perdeu o ritmo e sugeriu um longo ditongo oral, e quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa.
Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele, todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício.
Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal.
Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.

Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-à-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou pela janela, e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."