Oct 15, 2006


Como surgiu o Dia do Professor


"Tudo começou com um decreto imperial, de 15 de outubro de 1827, que trata da primeira Lei Geral relativa ao Ensino Elementar. Este decreto, outorgado por Dom Pedro I, veio a se tornar um marco na educação imperial, de tal modo que passou a ser a principal referência para os docentes do primário e ginásio nas províncias. A Lei tratou dos mais diversos assuntos como descentralização do ensino, remuneração dos professores e mestras, ensino mútuo, currículo mínimo, admissão de professores e escolas das meninas.


A primeira contribuição da Lei de 15 de outubro de 1827 foi a de determinar, no seu artigo 1º, que as Escolas de Primeiras Letras (hoje, ensino fundamental) deveriam ensinar, para os meninos, a leitura, a escrita, as quatro operações de cálculo e as noções mais gerais de geometria prática. Às meninas, sem qualquer embasamento pedagógico, estavam excluídas as noções de geometria. Aprenderiam, sim, as prendas (costurar, bordar, cozinhar etc) para a economia doméstica.
Se compararmos a lei geral do período imperial com a nossa atual lei geral da educação republicana, a Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), persegue ainda ideais imperiais, ao estabelecer, entre os fins do ensino fundamental, a tarefa de desenvolver a “capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo”. Portanto, mais de um sesquicentenário da lei, perseguimos os meus objetivos da educação imperial.


A Lei de 15 de novembro também inovou no processo de descentralização do ensino ao mandar criar escolas de primeiras letras em todas as cidades, vilas e lugares mais populosos do Império. Hoje, além da descentralização do ensino, para maior cobertura de matrícula do ensino fundamental, obrigatório e gratuito, o poder público assegura, por imperativo constitucional, sua oferta gratuita, inclusive, para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria (Inciso I, artigo 208, Constituição Federal).


A remuneração dos professores é, historicamente, o grande gargalo da política educacional, do Império à Nova República, de Dom Pedro I a Fernando Henrique Cardoso I e II. O grande mérito do Imperador, ao outorgar a Lei de 15 de outubro de 1827, foi o de não se descuidar, pelo menos, formalmente, dos salários dos professores. No artigo 3º da lei imperial, determinou Dom Pedro que os presidentes, em Conselho, taxariam interinamente os ordenados dos Professores, regulando-os de 200$000 a 500$000 anuais, com atenção às circunstâncias da população e carestia dos lugares.


O economista Antônio Luiz Monteiro Coelho da Costa, especialista em cotação de moedas, atendendo minha solicitação, por e-mail, fez a conversão dos réis, de 1827, em reais de 2001 (discutíveis): estima Luiz Monteiro que 200$000 eqüivalem a aproximadamente R$ 8.800,00 (isto é, a um salário mensal de R$ 680, considerando o 13º) e 500$000 a aproximadamente R$ 22.000(R$ 1.700, por mês).


Os dados mostram como os professores, no século XXI, em se tratando de remuneração, recebem bem aquém dos parâmetros estabelecidos pela lei imperial, no longínquo século XIX. De acordo com dados recentes do Ministério de Educação, do total de professores, 65% ganham menos que R$650, 15% ganham entre R$650 e R$900 e 16% ganham mais de R$900. O salário médio mensal, de acordo com o senso do Ministério de Educação, é de R$1.474 nas escolas federais, R$656 nas particulares, R$584 nas estaduais e R$372 na municipais. Nos municípios cearenses, ainda encontramos milhares de professores recebendo (e com atraso) menos do que um salário mínimo vigente.


Atualmente, a Constituição Federal de 1988, no seu inciso V, artigo 206, garante, como princípio de ensino, aos profissionais de ensino, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional, mas até agora, não há vontade política para se determinar o valor do piso salarial profissional condigno para os professores.

A Lei de 15 de outubro de 1827 trouxe, por fim, para época, inovações de cunho liberal como a co-educação, revelada através da inclusão das meninos no sistema escolar e que as mestras, pelo artigo 13, não poderiam perceber menos do que os mestres.


A formação dos professores foi lembrada pela lei imperial. No seu artigo 5º, os professores que não tinham a necessária instrução do ensino elementar iriam instruir-se em curto prazo e à custa dos seus ordenados nas escolas das capitais.


Preocupados, hoje, com os 210 mil professores leigos, sem formação sequer do pedagógico ofertado no ensino médio, o Brasil contemporâneo, através da Emenda Constitucional n.º 14, de 12 de setembro de 1996 , a LDB, o Fundef, todos promulgados em 1996, orientam os governantes e as universidades para as licenciaturas breves, na luta contra esse déficit de professores habilitados para o magistério escolar, mas com o apoio financeiro do poder público em favor dos professores de rede pública de ensino (Magister, no Ceará, é um bom exemplo).


A expectativa da sociedade, política e civil, é a de habilitar, em nível superior, até o ano de 2007, o grande contigente de professores leigos da educação básica. Será que, ao comemorarmos o Dia do Professor em 2007, 180 anos depois da primeira geral da educação imperial, teremos atingido esse desiderato republicano? "


Vicente MartinsProfessor Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), de Sobral.


Fonte de Pesquisahttp://www.psicopedagogia.com.br


Projeto de Lei que instituiu a data comemorativa


"...O Deputado Estadual Paulista, Dr. Antonio Carlos de Salles Filho, no mandato 1947/51, é o autor do Projeto de Lei que instituiu tal homenagem, em âmbito do território do Estado de São Paulo - e, mais tarde, já como Deputado Federal, no mandato 1955/59, fê-lo com espectro e abrangência nacional, passando os abnegados professores a, pelo menos isto, terem seu dia especial, 15 de outubro...."
Informações enviadas por:Antonio Luiz Barros de Salles

Oct 12, 2006

DIA DOS PROFESSORES


"Ensinar é um exercício da imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais..." (Rubem Alves)
Uma pequena homenagem a estes profisionais que têm nas mãos a possibilidade da transformação social. Que saibamos agir nos ambientes de aprendizagens de forma a favorecer a conscientização, criticidade, ética, conhecimento, trocas... Que cada aprendente tenha a oportunidade de crescimento e que tudo isso em conjunto cumine num ser dotado de cidadania plena.
Ofereço esta música abaixo (dos Abelhusdos) a todos os professores que amam o que fazem e fazem o que amam... Em especial as minhas amigas e colegas da faculdade (UM ANO DE FORMADAS!!!!).

Ao Mestre Com Carinho
Composição: Abelhudos


Quero aprender sua lição que faz tão bem pra mim

Agradecer de coração por você ser assim

Legal ter você aquium amigo em que eu posso acreditar

Queria tanto te abraçar

Pra alcançar as estrelas não vai ser fácil, mas se eu te pedir

você me ensina como descobrir qual é o melhor caminho

Foi com você que eu aprendi a repartir tesouros

Foi com você que eu aprendi a respeitar os outros

Legal ter você aqui um amigo em que eu posso acreditar

Queria tanto te abraçar

Pra mostrar pra você que eu não esqueço mais essa lição

Amigo, eu ofereço essa canção

Ao mestre com carinho

Foi com você que eu aprendi a repartir tesouros

Foi com você que eu aprendi a respeitar os outros

Legal ter você aquium amigo em que eu posso acreditar

Queria tanto te abraçar

Pra mostrar pra você que eu não esqueço mais essa lição

Amigo, eu ofereço essa canção

Ao mestre com carinho



Oct 10, 2006


Mais uma sobre saber ouvir... Uma tirinha que embora engraçada, apresenta cena bastante comum na vida da sociedade atual. Vamos refletir!!

Oct 9, 2006


ESCUTATORIA
A ARTE DE SABER OUVIR



INTRODUÇÃO:

Você sabe ouvir?

Ou você é daquelas pessoas que fala, fala, fala e só você fala, não deixa ninguém falar e se tentar falar você logo interrompe?
Se você é assim essa WQ é para você.
O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos, mesmo por que na concepção milenar tradicional, o professor verbalizava e o aluno apenas ouvia.

Mas, a nossa proposta é EDUCAR você aluno, professor, pessoa comum a viver a sabedoria do bom OUVINTE.
VAMOS TENTAR?


TAREFA:

“Tenho a impressão de que, se os jovens não gostam de ler, é porque não tiveram a experiência de ouvir a leitura feita por um possuído”. (William Shakespeare). “Todo mundo quer aprender a falar”. (Rubens Alves)

Mas você com certeza quer aprender a ouvir.


PROCESSO

“Todos querem mudar o mundo, mas ninguém quer mudar a si mesmo”
A única pessoa que você pode mudar é você mesmo”. (HUNTER)

Não saber ouvir, é um defeito gravíssimo. Coisa alguma corta mais a alegria de um falante (professor, palestrante, amigo contando algo), quando um ouvinte está frenético para entrar na conversa, logo que haja uma deixa.



Formem grupos de 5 pessoas.
Ter uma reunião de 20 minutos de segunda a sexta-feira.
Cada dia da semana, uma pessoa do grupo falará sobre o assunto que quiser e as outras 4 ouvirão, no outro dia outra pessoa falará e as outras 4 ouvirão e assim sucessivamente até que todos tenham falado e todos tenham feito o exercício de ouvir, apenas ouvir.
Sendo que você falará apenas 20 minutos e ouvirá, com os ouvidos bem atentos, 80 minutos.
No dia da fala, só poderá falar a pessoa que estiver no seu dia de falar, as outras pessoas tem que apenas OUVIR.

FONTES DE INFORMAÇÃO

http://www.gestaoerh.com.br/site/visitante/artigos/cmmk_009.php

http://www.mol.org.br/index.cfm?FuseAction=noticias.Detalhe&nNoticia=6478&unecod=1

http://www.palestrarte.com.br/artigos/default.asp?id=55

http://bonsfluidos.abril.uol.com.br/hotsite/relacionamento/relacionamento08.shtml
http://caosmose.net/candido/unisinos/textos/escutatoria.doc
http://64.233.187.104/search?q=cache:abSfGJBkdooJ:caosmose.net/candido/unisinos/textos/escutatoria.doc+A+arte+da+%22escutat%C3%B3ria%22&hl=pt-BR&gl=br&ct=clnk&cd=2

AVALIAÇÃO:

A avaliação será feita por cada falante.
Cada ouvinte terá 2,5 pontos se realmente ouviu escutando e internalizando o que foi falado. Cada falante anotará no final de sua fala a pontuação dos ouvintes. Havendo falta a reunião perderá 2,5 pontos em cada falta.
Pontuação: Se no final das 5 reuniões você atingir:
10 pontos você é um EXCELENTE ouvinte.
7,5 pontos você é um BOM ouvinte;
5,0 pontos você precisa melhorar
2,5 pontos você não sabe ouvir. Pratique a arte de ouvir, reveja suas atitudes e forme um novo grupo, assim quem sabe você aprenda a ouvir.

Para finalizar no sábado ou no domingo reúnam-se e assistam a um filme (não legendado) e vejam se já aprenderam a ouvir. Depois comentem, troquem opiniões, mas, não esqueçam de OUVIR, OuViR, a opinião de todos.


CONCLUSÃO:

Grandes recompensas espera quem se dispõe a ouvir com atenção. A alma se enriquece no silêncio da escuta. Em troca, o outro oferece seu coração.

“A cultura milenar dos orientais ensina que um dos atributos essenciais para uma melhor convivência no dia-a-dia e nas relações do trabalho é aprender a escutar. Neste caso escutar é ir além do simples fator físico-mental. É interpretar muito mais que sons e palavras: ouvir o outro. É usar da empatia, ou seja, colocar-se no lugar do seu interlocutor. Tarefa difícil para alguns e normalmente não praticada por muitos.” Rogério Martins

A tarefa visa desenvolver em você a arte de saber ouvir.

"Ouvir bem apura sua sensibilidade, permitindo-lhe romper a concha de isolamento criada pelo individualismo e participar das experiências e emoções alheias".( Wendell Johnson)

Augusto Cury nos apresenta 5 etapas para a Arte de OUVIR:

1. Arte de se esvaziar para ouvir o que os outros têm para dizer e não o que queremos ouvir.
2. A capacidade de se colocar no lugar dos outros e perceber suas dores e necessidades sociais.
3. Penetrar no coração psíquico e desvendar as causas da agressividade, da timidez, da angustia, dos comportamentos estranhos.
4. Interpretar o que as palavras não disseram e o que as imagens não revelaram.
5. Ter a sensibilidade para respeitar as lágrimas visíveis e perceber as que nunca foram choradas.

É raro encontrarmos um bom ouvinte, porque, para ouvir outra pessoa, temos que admitir que o que temos a dizer é menos importante que aquilo que ela nos diz.

Revele-se um EXCELENTE ouvinte, ai vai as dicas:

1. Ouça, refletindo, e depois respondendo.
2. Não interrompa as pessoas, não eleve o seu tom de voz, nem se irrite com opiniões contrárias.
3. Exercite a empatia, procurando entender o que o outro fala, e também como ele se sente.
4. Incline seu corpo na direção do interlocutor.
5. Mantenha seu rosto expressivo, reagindo de acordo com o que está sendo dito.

Ai sim teremos a certeza que você é um EXCELENTE ouvinte.


CRÉDITOS

CURY, Augusto. 12 semanas para mudar uma vida. São Paulo: Academia da Inteligência, 2004.

HUNTER, James C. O monge e o executivo. Uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 9ª ed. 2004.

Oct 2, 2006

As Novas Tecnologias e a Educação


“O livro tem um caso com a aparelhagem de som, a tv flerta com o jornal, o cinema com satélite, o telefone com o vídeo cassete... todos abençoados pelo computador, que é o sacerdote supremo dessa promiscuidade cibernética, a multimídia”.

(Marcelo Tas)

A tecnologia invadiu as casas, escolas, empresas e demais instituições. Os recursos tecnológicos se expandiram pelo universo.
Atualmente a sociedade depende dos recursos tecnológicos. A concepção de mundo vem sendo delimitada por meio das informações recebidas através das novas tecnologias.
Desde as primeiras invenções humanas, a vida tem sido facilitada seja na comunicação, no bem estar, na facilitação de resolver problemas... Iniciou-se um processo de transição. A pós-modernidade evidencia todas as evoluções e descobertas: a escrita, a imprensa, o livro, o telefone, o cinema, o rádio, a televisão, o computador e todos os demais recursos voltados à informatização. O mundo está digitalizado.
A era da informática não é outra senão esta.
A educação se mantém atualizada e a cada passo evolutivo cria novos espaços que propiciam aquisição de conhecimentos. Pode-se dizer que a educação tem uma proposta inovadora e globalizada. O ensino vem rompendo com as fronteiras das salas de aula e dos muros das escolas. Ambientes reais e virtuais são explorados e aproveitados de forma significativa. O professor de hoje é um link entre o aluno e o mundo infor globalizado. Através dele o aluno apreende e incorpora novos conhecimentos, inclusive a respeito das novas tecnologias.
Educadores sempre há de existir independente do contexto escolar ser virtual ou presencial. De fato existe uma troca entre os conectados que sempre gera aprendizagem e conhecimento ampliado, e para isto a globalização está a serviço da humanidade.
Por outro lado, há duas vertentes: os prós e contras da globalização. O desafio para educadores e não deixar que a escola perca sua essência. Esta deve ser inserida num contexto global que favoreça a aprendizagem, pois as novas tecnologias também trazem novos conhecimentos.

Oct 1, 2006

Esse conto eu achei muito interessante e mesmo não sendo da minha autoria, decidi postar aqui pra dividir com vocês!


CONTO PROPAROXÍTONO

por Luiz Henrique Mignone

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem m entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.

Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula: ele não perdeu o ritmo e sugeriu um longo ditongo oral, e quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa.
Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele, todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício.
Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal.
Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.

Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-à-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou pela janela, e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."